quarta-feira, 28 de novembro de 2007

Desigualdades criadas entre os profissionais da Psicologia no mercado de trabalho

A Psicologia é uma área muito vasta com diversas saídas profissionais no mercado de trabalho, embora na maioria das vezes não sejam abertos lugares para a sua actuação, uma vez que muitos serviços e instituições necessitariam de um Psicólogo e não têm. Mas este seria outro assunto a discutir. O que eu gostaria de discutir aqui é a desigualdade criada entre a colocação dos profissionais da Psicologia no mercado de trabalho em termos das áreas de pré-especialização em que se formaram. Assim, uma vez que estas áreas, facultadas pelas Faculdades de Psicologia existentes nas Universidades estatais e privadas, são também várias, organizadas de acordo com as saídas profissionais existentes, torna-se, por vezes, injusta a selecção de profissionais por parte das entidades empregadoras. Como licenciada em Psicologia que se encontra em luta contra o desemprego desde o final do ano 2006, data de conclusão da Licenciatura, tenho verificado que existe uma grande confusão/ignorância ao fazer corresponder as diversas áreas da Psicologia com as funções requeridas para um determinado lugar numa determinada instituição. São alguns exemplos:

  • Para Técnico de RVCC (Reconhecimento, Validação e Certificação de Competências) – ter Licenciatura em Psicologia Clínica como requisito obrigatório. Aqui verifica-se uma clara falta de conhecimento da existência das diferentes sub-áreas da Psicologia, passíveis de se enquadrarem nas funções exigidas para o cargo, sendo que ao nível da área clínica não é contemplada qualquer formação relacionada com as funções exigidas para um técnico de RVCC. Neste sentido, estará muito mais habilitado para tais funções o Psicólogo com formação em qualquer das seguintes pré-especializações: Avaliação Psicológica, Aconselhamento e Reabilitação; Educacional; e Social, actualmente incluídas na área de especialização em Psicologia da Educação, Aconselhamento e Desenvolvimento no curso de Mestrado Integrado (na FPCEUC).
  • Psicólogo Clínico para Lares de Acolhimento de crianças em risco ou Lares de 3ª idade: aqui constata-se também uma discriminação automática dos psicólogos provenientes de outras áreas, não significando que não tenham tido formação adequada para as funções exigidas por cada instituição. Não é só o Psicólogo com formação pré-especializada em Clínica que está apto para trabalhar junto de crianças em risco ou idosos. Por exemplo, a área de Avaliação Psicológica, Aconselhamento e Reabilitação tem muita formação específica para o tipo de instituições referidas. Exemplo de disciplinas leccionadas nesta área: Psicopedagogia das Pessoas com Necessidades Educativas Especiais, Reabilitação em Populações Especiais, Avaliação de Programas de Reabilitação Neuropsicológica, Técnicas Projectivas, Técnicas de Aconselhamento. Penso que é clara a relação da formação existente nesta área com as instituições como as referidas, em que na maioria das vezes é solicitado um Psicólogo com formação em Clínica. E isto são apenas alguns exemplos…

Entre variadíssimas outras situações... na maioria delas verifica-se esta desigualdade atribuída pelas instituições que necessitam de um Psicólogo e que na papelada apresentada pelos candidatos tem de ter o termo "Clínica", enquanto que muitas vezes os psicólogos de outras áreas têm uma formação mais complementar, mais multidisplinar e que, claro, tiveram, também, várias cadeiras de clínica ao longo da sua formação superior, o que demonstra uma grande abrangência. Além disso, gostaria de acrescentar que esta divisão de áreas na prática acaba por não fazer sentido, até porque nós, Psicólogos, temos 3 anos de formação comum e, no 4º ano, ano de pré-especialização, são apenas 6 as cadeiras que distinguem o ramo!! Sim, porque das 12 cadeiras semestrais, 4 são de carácter opcional e 2 são comuns a todos os ramos, logo apenas 6 distinguem os diferentes ramos em 4 anos de curso! isto não faz muito sentido quando se pedem áreas específicas para este ou aquele lugar!! Devem estar a pensar, e então o estágio não conta? Isso ainda é mais caricato, porque alguém da área da Educação, se quiser, pode estagiar numa instituição de saúde, assim como alguém da área de Clínica pode fazer o seu estágio numa instituição educacional! Enfim, são estas situações que criam incompatibilidades no mercado mercado trabalho, não se conhecendo a verdadeira realidade...

Muito teria a acrescentar, e muitas situações a denunciar... por vezes deparámo-nos com situações tão incrédulas, com tantas incompatibilidades, às quais não podemos passar despercebidos... agradeço a quem queira deixar o seu comentário...

Cumprimentos, Letícia;)

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